terça-feira, 1 de março de 2011

VINHOS ROSÉS

A última reunião da Confraria Feminina de Vinhos foi dedicada aos rosés. Vinhos muito gostosos, geralmente leves, refrescantes e que combinam bem com o verão. São geralmente desprezados no inverno, mas podem ser consumidos o ano todo, principalmente no Brasil, onde nosso clima é tropical.

Algumas das confreiras: Marian, Mônica, Francisca, Marlene, Isa e Célia.

Em cada reunião, uma das participantes fica responsável por um assunto, e desta vez, a responsável fui eu. Transcrevo abaixo um pouco das informações que levei ao grupo.

A má fama dos rosés originou-se da falta de cuidados com que os vinhos eram feitos há algum tempo. Para a elaboração, misturavam vinhos tintos e brancos . Hoje, os rosés são vinificados com todos os cuidados, e a cada dia, estão melhores e sendo mais consumidos. Só é permitida a mistura de vinhos tintos e brancos na elaboração do champagne rosé. Os champagnes são geralmente feitos a partir de vinhos das uvas Pinot Noir e Chardonnay.

Os vinhos rosés adquirem a coloração pelo contato da casca das uvas tintas com o mosto e depois são vinificados como vinho branco. Este contato pode ser na prensagem, antes da fermentação, ou no inicio da fermentação (método sangria). O contato com as cascas é rápido, de 4 a 12 horas, dependendo do objetivo do vinicultor. Quanto maior o tempo, mais intensa a coloração do vinho.

A maior parte dos rosés são vinhos para consumo imediato, no máximo três anos, mas existem alguns, mais estruturados, que podem ser guardados por mais tempo. São vinhos que geralmente não passam por barrica de carvalho.

As características dos diferentes rosés são dadas pelas diferentes castas de uvas, além do terroir. São uvas tintas. Na Provence, as mais empregadas são a Grenache e Cinsaut. Também são elaborados a partir de Pinot Noir, Syrah, Nebbiolo, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Malbec e outras.

A França é considerada o principal país produtor de rosés, em particular na região mediterrânea. Existem também bons rosés no Loire (Sancerre, Anjou) ou em Bordeaux. Em Tavel, próximo ao Rhône, são produzidos os melhores rosés franceses. Alguns chegam a ser um pouco caros.


Encontramos também bons rosés em Portugal,Espanha, Itália, Califórnia, Chile e Argentina. São elaborados com uvas típicas de cada região e isto faz com que sejam muito diferentes entre si.

Os rosés harmonizam muito bem com saladas, queijos, embutidos, aperitivos. Alguns mais encorpados combinam com carnes brancas, aves, peixes, camarões, pratos com molhos mais densos e um pouco condimentados, como moquecas e paellas.

Escolhi três vinhos de regiões e uvas diferentes que foram desgustados às cegas.

Dá para ver pelo nível dos copos, o meu preferido.

O primeiro, mais clarinho, um salmão pálido, era francês, GÉRARD BERTRAND Réserve Spéciale – 2008 – Provence. Possuía 13% de álcool e estava bem equilibrado, com ótima acidez. Foi o que mais me agradou. No momento do serviço, o vinho estava muito gelado, o que prejudicou a avaliação olfativa. Mas depois de algum tempo, um aroma de mel ficou bem evidente. Seu produtor, Gérard Bertrand, é ao mesmo tempo proprietário e parceiro dos melhores viniviticultores. Possui 360 hectares de vinhas nos melhores terroirs do Languedoc. Tem respeito ao meio ambiente. Faz cultura biodinâmica, com rendimentos limitados, colheita manual. Vinho com bom aroma ao nariz, e na boca possui uma característica de fruta. É muito fresco. Harmoniza com grelhados, saladas, pratos com especiarias, lulas recheadas, vitela. Temperatura de serviço entre 11 e 13°C. Preço R$ 68,00 em loja. Importado pela Expand.

O segundo vinho, chileno, CHOCALÁN Rosé 2009, uvas Syrah e Petit Verdot, com 13,5 % de álcool. Coloração bem mais intensa. Um rosa brilhante. Ideal como aperitivo ou para acompanhar carnes brancas, salmão e preparações frescas camarão, saladas. Deve ser servido com temperatura entre 10 e 12°C. A Viña Chocalán evidencia em seus vinhos o caráter do vinhedo onde as uvas são cultivadas levando em conta o privilegiado terroir do Vale do Maipo. O rigoroso cuidado dos vinhedos, respeitosas práticas meio ambientais e métodos naturais na produção do vinho, dão como resultado vinhos aromáticos, encorpado e de grande sabor, uma autêntica expressão da fruta e o do terroir. Preço: R$ 42,00 em loja.

O terceiro vinho da degustação às cegas foi o português CARM ROSÉ 2009, da região do Douro. Elaborado com 100% de uvas Touriga Nacional, coloração bem intensa e o menos alcoólico da noite, 12,5% e foi o que menos me agradou. Custa R$ 58,00 em loja.

Após esta degustação às cegas, passamos para o CHAMPAGNE BARNAUT GRAND CRU ROSÉ. Estava deliciosa, com boa perlage, boa persistência na boca e ótima acidez.

Produzida pela Maison Barnaut, que foi fundada em 1874 por Edmund Barnaut. Localiza-se em Bouzy, região de Champagne. Pertence desde sempre à mesma família, e hoje, a sexta geração já está na produção do champagne. Acompanha bem uma refeição, pratos de queijos fortes. Colheita manual, com triagem seletiva das uvas. O vinho de base vem de maceração, sangria (saignée) de Bouzy rouge. É basicamente de Pinot Noir, 85 a 90% e 10 a 15 % de Chardonnay para dar vivacidade e longevidade. Vendida pela Importadora Decanter e custa na Adega Boulevard R$ 189,70.

Uma salada de folhas verdes e salmão marinado acompanhou o champagne, harmonizando muito bem.

Finalizamos a noite com o MORGON Lapierre 2009. Vinho de uva gamay (100%) e 12,5 % de álcool. Morgon é um dos 10 crus de Beaujolais. Tem potencial para envelhecer alguns anos. Aromas de cereja e morango, com acidez marcada e refrescante. Esse vinho passa por barricas de carvalho e ao contrário de outros beaujolais e atinge seu apogeu 5 anos após a colheita.

Elaborado pela família Lapierre que produz vinhos há três gerações. Seu produtor, Michel Lapierre, faleceu em outubro do ano passado aos 60 anos, e deixou todos os aficcionados do mundo do vinho muito tristes. Ele optou pela produção de vinhos naturais, desde 1981, dispensando o uso de sulfitos na vinificação, filtragem e inseticidas no tratamento das vinhas. É um vinho para ser tomado à temperatura de 13°C. O ano de 2009 foi excepcional, dando vinhos de maior complexidade. Preço: R$ 135,00 em loja.


2 comentários:

Marian Guimaraes disse...

Adorei Ana Teresa. Você fezuma excelente apresentação. Parabéns

Ana Teresa Londres disse...

Oi Marian, obrigada e que bom que vc gostou. Eu tb gostei de estudar e preparar o assunto. bjs e até a próxima confraria.