segunda-feira, 3 de outubro de 2011

REUNIÃO PÚBLICA NA ANVISA CONTRA OS INIBIDORES DE APETITE

Desde o mês de fevereiro, a ANVISA ameça suspender todos os inibidores de apetite existentes no mercado. Alguns deles existem há mais de 40 anos. O último a surgir, a Sibutramina, foi há 15 anos. Por coincidência, o banimento vem junto com a queda da patente deste medicamento.

Toda a classe médica vem se mobilizando contra esta medida. Só aos médicos cabe a decisão do que, para quem e quando prescrever os medicamentos.  Esta medida impositiva da ANVISA, sem levar em conta os argumentos médicos, fere a todos nós. É um desrespeito ao papel do médico e ao paciente que necessita das medicacões.

Obesidade é uma doença grave, que hoje atinge uma grande parcela da população, e que tem consequências mais graves: Diabetes, Hipertensão arterial, Doenças Cardiovasculares como Infartos, Acidentes Vasculares Cerebrais (derrames), Câncer, entre outras.

Há 15 dias, no XV Congresso Brasileiro de Nutrologia, participei de uma mesa redonda onde a proibição dos medicamentos antiobesidade foi fartamente discutida. Copio abaixo o email que recebi da ABRAN (Associacão Brasileira de Nutrologia) sobre este assunto.

Reunião pública analisa inibidores de apetite
A Diretoria Colegiada da Anvisa (Dicol) analisará e votará na próxima semana o Relatório Integrado sobre Eficácia e Segurança dos Medicamentos Inibidores de Apetite. O tema será discutido durante a 10ª Reunião Pública da Dicol, marcada para terça-feira (04/10) às 8h30, na sede da Anvisa.
Contrários à proibição, médicos debatem inibidores de apetite no Congresso de Nutrologia
Em uma das salas mais concorridas da 15ª edição do Congresso Brasileiro de Nutrologia, mais de 200 médicos nutrólogos se reuniram para discutir a proposta da Anvisa de proibir os medicamentos para o controle da obesidade que agem no sistema nervoso central. Especificamente, os inibidores de apetite (sibutramina, mazindol, femproporex e dietilpropiona). O debate teve o formato de mesa-redonda, e os médicos foram unânimes: a proposta é um desrespeito à autoridade do médico como prescritor, pois não leva em consideração a opinião médica sobre o assunto.
“Nós, médicos, pelo compromisso que temos para com nossos pacientes, temos o dever de nos manifestar sobre essa proposta que representa um perigo real para a saúde pública do Brasil”, destacou o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Dr. Durval Ribas Filho. “Temos que agir com estratégia, fazer valer nossa responsabilidade como médicos e ajudar a Anvisa e a própria sociedade a compreender os riscos de eliminar as armas que temos disponíveis para combater a doença obesidade”, completou.
Para o Dr. Antônio Carlos Zanini, professor emérito da Faculdade de Medicina da USP, o estudo SCOUT tem muitas falhas e foi desenvolvido especificamente para levantar e mapear possíveis reações adversas em uma população já conhecida como de risco – para quem esses medicamentos nunca são indicados. “É inadmissível um estudo com protocolo clínico apenas para identificar efeitos colaterais. É como arrancar a perna do paciente para testar se o pino vai funcionar”, explicou.
O Dr. Zanini ainda ressaltou ainda que um dos autores do SCOUT afirmou não existir nenhum outro tratamento para obesidade a não ser a cirurgia bariátrica. Sobre isso, o Dr. Dimitri Homar lembrou que o Ministério Público do Distrito Federal está de acordo com as colocações das sociedades médicas, incluindo do Conselho Federal de Medicina (CFM) e que, como conselheiro do CRM-DF, afirmou que nunca houve no Distrito Federal nenhum óbito decorrente de um desses quatro medicamentos, comentou.
“É importante que cada um de nós leve essa preocupação e nossa posição contrária à proibição a nossos conselhos regionais, associações médicas estaduais, entidades ligadas a outras especialidades médicas e também ao poder público”, salientou o presidente da ABRAN. “Não podemos medir esforços para impedir que nossos pacientes fiquem sem opções de tratamento farmacoterápico para obesidade. Temos de nos mobilizar.”
ABRAN se mobilizou pela manutenção medicamentos desde o início.
Desde fevereiro, quando a Anvisa manifestou publicamente a proposta de banir os inibidores de apetite, a ABRAN, em defesa do direito de milhares de médicos nutrólogos brasileiros e dezenas de milhares de pacientes, manifestou-se contrária à proposta. Várias ações foram realizadas com objetivo de evitar que a proibição seja aprovada. A entidade também tem sido uma das principais fontes para a grande imprensa durante toda essa discussão.
Acompanhe as principais ações realizadas pela ABRAN até o momento:
· Iniciamos um processo de mobilização e engajamento dos médicos contra a proposta da Anvisa. Veja aqui o material
· A ABRAN colocou-se a disposição da imprensa para esclarecimento do assunto. Confira as bases da divulgação aqui
· A ABRAN oficializou sua posição junto ao presidente da Anvisa. Leia o comunicado
· Conversamos com ministros do Supremo Tribunal de Justiça, deputados federais, senadores e mobilizamos os associados para que mostrassem a sua opinião junto a este público. Confira aqui o comunicado
· Estivemos presentes com uma comissão de médicos em todas as sessões de consulta pública e audiências técnicas, com manifestações públicas da opinião da entidade. Veja como foi a participação da ABRAN nas sessões clicando aqui e também aqui
· Conversamos com as entidades envolvidas no processo: Anvisa, Ministério da Saúde, Câmara dos Deputados, Senado Federal e entidades médicas. Veja aqui
· A ABRAN convocou da imprensa para uma coletiva, às vésperas do último painel técnico sobre o tema, em Brasília. Confira aqui
· Durante todo o processo, a ABRAN manteve seus associados informados. Leia aqui mais um dos materiais divulgados
· A ABRAN referendou o seu posicionamento de defesa dos direitos dos médicos junto aos meios de comunicação. Veja as bases dos materiais divulgados
· A ABRAN também criou um abaixo-assinado contra a proposta da Anvisa. Clique aqui e assine também!
· Realizamos uma análise e, baseados em estudos, contestamos os critérios utilizados pela Anvisa para a proibição dos medicamentos para tratamento da obesidade. Confira aqui a análise
· O assunto também é o principal destaque da edição 24 do Boletim Brasileiro de Nutrologia (BBN). Confira aqui o BBN 24
· Colhemos e destacamos depoimentos de médicos sobre a polêmica. Confira aqui
A ABRAN conta com seu apoio para continuarmos firmes em defesa dos pacientes com obesidade!




2 comentários:

Anônimo disse...

Você saberia nos informar os resultados dessa reunião do dia 30/out? Seria importante sabermos se a SBN conseguiu resultados positivos...

Ana Teresa Londres disse...

Ainda não sei, mas assim que tiver alguma novidade, escrevo.