No mês de setembro estive em São Paulo no XVI Congresso
Brasileiro de Nutrologia. Assisti uma palestra do Dr. Durval Ribas Filho,
médico nutrólogo e presidente da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia)
sobre os benefícios do café. Tudo o que ele falou foi baseado em trabalhos
científicos. Vou tentar transcrever aqui um pouco das suas palavras.
O café não é apenas composto de cafeína. Possui também
lipídeos, polisacárides, sacarose e ácido clorogênico. As proporções dependem
da variedade do café. O café verde, extrato seco da variedade arábica, é
composto de 1,2% de cafeína, 6,5 de ácido clorogênico, 8% de sacarose, 44% de
polissacarídeos e 16% de lipídeos.
A quantidade da cafeína depende muito do preparo do café. Sendo
que 50 mL de café filtrado em papel tem cerca de 20 mg de cafeína, enquanto um
expresso tem 80. Ela está presente também no chá preto ou verde com 55- a 67 mg
por xícara de 200 mL, ou com 80 mg por copo de energético. Os descafeinados
possuem uma quantidade mínima de 0,45 a 0,90 mg por xícara de cafezinho.
A maioria dos trabalhos indica que os benefícios do café
aparecem com o consumo moderado, de 4 a 6 xícaras de 50 mL no decorrer do dia.
O mesmo benefício não é visto quando o café é tomando apenas uma vez ao dia, mesmo que seja na quantidade de 200 a 300 mL.
Com a quantidade de 4 a 6 xícaras de cafezinho ao dia, os trabalhos
mostram um menor risco de morte por doença cardiovascular, doença coronariana,
insuficiência cardíaca, assim como uma diminuição da pressão arterial e do
aparecimento do diabetes. Foi demonstrado que o aparecimento de infarto do
miocárdio uma hora após a ingestão de café foi menos freqüente naqueles que
tomavam mais de 4 xícaras ao dia e mais freqüente nos que tomavam menos que uma
xícara ao dia. Num trabalho de 2012, concluíram que o consumo moderado de café
está inversamente associado com o risco de desenvolver insuficiência cardíaca,
sendo o consumo de 4 xícaras a mais significativa associação. O mesmo benefício
apareceu em trabalhos que associaram o consumo moderado de café com o surgimento de
AVC (Acidente vascular cerebral), Parkinson e diabetes. Evidenciaram também,
uma diminuição da hiperglicemia pós-prandial (aumento da glicose do sangue após
as refeições) naqueles que consumiam quantidade moderada de café. A mesma
evidência foi observada no controle do peso, tendo um efeito protetor em
relação à obesidade.
Quanto ao aparecimento de câncer de orofaringe, não
houve demonstração de aumento com o uso do café. Ele tem ação antioxidante e
anti-mutagênica devido aos compostos de ácido clorogênico, cafestol e Kaweol
que reduzem a genotoxidade de diversos carcinógenos. O mesmo resultado foi observado em relação ao câncer
ovariano, prostático, ao câncer gástrico, pancreático e de
cólon retal. Um trabalho de 2012 mostrou que o consumo da cafeína,
tanto do café como dos chás ou chocolate foi associado inversamente com o
aparecimento do Carcinoma Baso-Celular, um tipo de câncer de pele.
Um trabalho publicado no New England Journal of Medicine,
2012, os autores fizeram o seguimento de 5.148.760 pessoas entre 1995 e 2008, e
concluíram que o consumo moderado de café está inversamente associado com a
taxa de mortalidade.
Em relação às gorduras presentes no café, Cafestol e Kaweol,
quando este é preparado com filtro de papel, há retenção de 80% destas gorduras e não há
aumento do colesterol total nem do LDL, o colesterol ruim. O mesmo não acontece
com aqueles preparos em que o pó fica presente, como o café árabe, que é decantado.
Por todas estas razões, e por que gosto de café,
principalmente o expresso, continuarei tomando minhas 4 xícaras ao dia!
Importante: escolher um café de qualidade!
3 comentários:
É muito bom saber destas informações. Podemos informar nossos clientes destes benefícios e também das quantidades indicadas.
É bom saber disto para informar nosos clientes.
É bom podermos informar nossos clientes.
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