O texto abaixo copiei do site CONVERSANDO COM O PEDIATRA. Este site é elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria e aborda assuntos variados, para todas as idades, desde o pré-natal até o adolescente. É direcionado ao público leigo, pais e educadores. Vale a pena visitá-lo!
Adolescência
Departamento de Adolescência da SBP
“A adolescência é como um muro de vidro: não há portas nem
passagem, só a disposição de crescer para transpô-lo. Quem tenta
escalá-lo só o fará após muitos escorregões. Quem ousa parti-lo, há de
ferir-se com seus estilhaços. Do lado de cá, há reminiscências de
ternura e aconchegos; do outro, promessas de conquista e êxtase.”
(anotações de um adolescente)
A palavra “adolescer” vem do latim e significa crescer,
engrossar, tornar-se maior, atingir a maioridade. Dos seres vivos, os
humanos são os únicos que vivem a adolescência como uma etapa importante
do desenvolvimento, marcada pelo crescimento físico, cognitivo,
afetivo, moral e social.
O conceito de adolescência refere-se ao período da vida que vem
logo após a infância e precede a idade adulta. Segundo a Organização
Mundial da Saúde, transcorre dos 10 aos 20 anos.
Adolescente! Esse ser especial tem na segunda
década da vida o seu viver mais iluminado, mais bonito na estética e
mais elástico nas possibilidades; quando a vida explode em mil cores,
tão fortes, tão coloridas e especiais, que deixarão na memória sons,
cheiros e imagens inesquecíveis e incomparáveis.
A adolescência é palco de mudanças físicas visíveis que representam a maturação do corpo, e a isso se dá o nome de
puberdade. Já a mudança interna, mais difícil de ser entendida, interfere em seu comportamento, em suas ações.
Essas mudanças ocorrem paralelamente, mas em velocidades diferentes, principalmente quando os jovens são de sexos opostos.
A adolescência, para fins didáticos, pode ser dividida em
“inicial” (10 a 14 anos) e tardia (15 a 19 anos), sendo a fase inicial
mais turbulenta, visto que aí as mudanças ocorridas aparecem de forma
brusca sem tempo para o indivíduo interpretar os fatos. Já na fase mais
tardia, o indivíduo consegue entender melhor as transformações.
A formação da identidade é a principal tarefa do adolescente. Às
vezes vale a pena perguntar quem é esse ser. Por que, de repente, ele
se torna ora um sujeito mais que humano, ora uma pessoa detestável, na
procura dessa identidade?
Nesse contexto, a família é fundamental. A busca da identidade, a
ânsia de ingressar no mundo adulto e, ao mesmo tempo, o medo de fazer
parte dele fazem com que o adolescente queira estabelecer normas
próprias e fazer as coisas do “seu” jeito. Tudo isto com um único
objetivo: ter uma identidade própria! Ser diferente dos pais! Ser igual a
quem?
E tudo isso adquire uma dimensão ainda maior quando essa
adolescência é vivida nos tempos atuais, com essa família “mutante”,
como se vê na nossa realidade, recheada de casamentos, divórcios,
recasamentos, novas estruturas familiares, um novo modelo de família. E
independente do modelo de família onde o adolescente está inserido, é
necessário que os pais ou responsáveis pelos mesmos tenham em mente dois
pré-requisitos básicos:
- Diálogo – sempre e sobre TUDO, de uma forma clara e honesta.
- Limites – fundamental na relação com o
adolescente. E esses limites não podem ter início na adolescência e sim
na mais tenra infância. Impor limites faz parte do processo educativo, e
essa é uma das funções da mãe e do pai.
Ausência dos pais aumenta a vulnerabilidade do jovem
Nesse espaço onde o adolescente está se buscando, a
família atual está se tornando cada vez mais omissa, ausente. E isso se
observa em todas as camadas sociais, tanto nas vielas sofridas e escuras
da periferia, quanto nos bairros nobres, habitados por gente de boa
formação. Percebemos tanto nos lares ricos quanto nos pobres um
assustador abismo afetivo. O vazio emocional, somado à falta de limites,
ao desinteresse e ausência dos pais são considerados fatores de risco
que estão a todo o tempo rondando o adolescente, devido à sua natural
vulnerabilidade. E isso pode se tornar um campo fértil para o consumo de
drogas, para a violência, a infração das regras e a transgressão dos
limites.
Ausentes, os pais delegam a sua função educativa à
escola, também despreparada, e que, mal dando conta das suas próprias
dificuldades, se depara com esses jovens portadores de enormes lacunas
não preenchidas pela família: faltam carinho, valores, crenças,
expectativas, comportamentos, normas sociais, diálogo e limites. E
explode o bulliyng, essa forma tão antiga e cruel de agressão entre os pares, muitas vezes com consequências graves.
Vivemos uma verdadeira cultura de violência, em todos os
níveis: físico, psíquico e emocional. Videogames, filmes, novelas,
desenhos animados e até propagandas estimulando a violência e a cultura
da competição. Além do fácil acesso às armas, a proliferação
incontrolada das drogas lícitas e ilícitas.
No nosso país, o exemplo que vemos é corrupção, mentiras,
fraudes, impunidade, em todos os níveis. A violência infanto-juvenil
nas ruas, lares e escolas brasileiras é, na verdade, apenas a parte
visível do iceberg e revela um fenômeno muito mais sério, incrustado na
sociedade, que é preocupante e temeroso ao mesmo tempo: a falta de
atenção às crianças e adolescentes, antes representantes da nação do
futuro, hoje protagonistas da violência que explode nas casas e nas
ruas, pela falta de liderança dentro e fora da família.
É necessário e urgente fazermos alguma coisa para
garantir a cidadania das nossas crianças e adolescentes. E cabe a todos
nós, pais e mães a responsabilidade de “criar” essa geração, com o amor,
o carinho e os limites que eles pedem e merecem!