domingo, 27 de junho de 2010

OBESIDADE INFANTIL


A capa da revista Veja desta semana tem como título: A SÍNDROME DO FOFÃO. Esta é a triste realidade dos consultórios pediátricos. Quando me formei, o que víamos eram crianças extremamente desnutridas, que morriam de diarréia e pneumonia. Hoje, a desnutrição foi substituída pela obesidade. Juntamente com ela, aparecem as doenças crônicas do adulto representadas pela hipertensão arterial, diabetes, dislipidemias (alterações do colesterol e triglicerídeos), doenças cardiovasculares (as coronariopatias), derrames, e ainda câncer. Muitas destas doenças já estão atingindo as crianças. Este é o dia a dia do meu consultório.

Sabe-se hoje que a genética é muito importante no aparecimento da obesidade. Mais de 500 gens já foram identificados. As pessoas nascem com os gens, mas se tornarão obesos se forem expostos a um ambiente que propicie a expressão destes gens. Uma vez deflagrados, uma vez que a pessoa fique obesa, os gens sempre estarão lá querendo se expressar. Por isto se diz que mesmo que o obeso esteja magro, ele sempre será um obeso, pois sua carga genética foi ativada.

No passado, há duas ou três décadas, as crianças tinham mais espaço para brincar, gastavam energia, e a alimentação era saudável. Poucas apresentavam sobrepeso. Hoje, elas estão expostas a um ambiente obesogênico, onde a alimentação é super calórica, rica em gorduras, açúcares, sal, conservantes, corantes, e pobre em fibras e nutrientes como vitaminas e sais minerais. Muitos destas crianças com sobrepeso ou obesidade ainda apresentam deficiência de ferro, cálcio e vitaminas. Ao lado da alimentação inadequada, as crianças de hoje passam a maior parte de seu tempo em atividades sedentárias. TV, vídeo games, computador. Não brincam de bola, não andam de bicicleta, não sobem em árvores, não gastam energia e não desenvolvem os músculos, que também são importantes para aumentar o metabolismo.

As crianças precisam de limites e estes devem ser dados em casa pelos pais. As regras também são importantes no momento da refeição. Nenhum alimento deve ser proibido, mas um limite precisa ser imposto. Quanto menor a criança, maior a responsabilidade de quem cuida, de quem prepara, oferece e faz as compras da casa. Que tal refletir sobre o conteúdo dos carrinhos de supermercados? Antigamente continham basicamente arroz, feijão, carnes, legumes e frutas. Hoje, estão abarrotados de enlatados, comidas prontas, sucos adoçados, bolachas, embutidos, guloseimas e muito refrigerante.

3 comentários:

Clarisse Zanette disse...

Olá Dr Ana

Parabéns pela matéria. Sou nutricionista e mestre em obesidade e sindrome metabólica na infância!
Concordo totalmente com vc, crianças precisam de limites, principalmente nas refeições. Esta é a minha maior dificuldade em trabalhar com os pais no consultório!
Mas este é o nosso trabalho "Conscientização"
Abraços

Nutricionista Clarisse Zanette

Ana Teresa Londres disse...

Olá Clarisse,
A falta de limites é um problema tão sério como as consequências da obesidade na vida de uma criança. A maioria dos pais não enxerga isto. Vamos fazendo a nossa parte.
Parbéns a vc tb pelo teu blog. Eles possibilitam que nossa atividade não fique somente entre 4 paredes.
Um abraço

Ministério disse...

Olá blogueiro!
O número de pessoas com hipertensão no Brasil aumentou de 21,5%, em 2006, para 24,4%, em 2009. A hipertensão é uma doença silenciosa e ataca todas as faixas etárias. Por isso, junte-se à campanha de combate e controle da hipertensão do Ministério da Saúde. Você pode ajudar na conscientização da população por meio do material de campanha que disponibilizamos para download.
Caso se interesse, entre em contato com comunicacao@saude.gov.br
Obrigado!
Ministério da Saúde